
A visão da liberdade é tentadora. Você a observa como a sua chance, um momento que talvez só se repita daqui a um bom tempo (ou nem se repita). Você faz planos e pensa: "O que mais vou fazer? Preciso aproveitar." Tão novo como isso é, tão fugaz será. Minutos, horas ou dias em que ninguém te vê, não faz daquele momento a melhor ocasião. Um dia você percebe que sempre esteve livre, e que aquilo, era apenas um delírio, um folclore.
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O coração nunca avisa quando realmente está cansado. Hoje, nem mesmo aquela velha música do "não me diga" foi capaz de enxergar uma solução ou um estimulo para continuar este caso. As páginas viradas são como passos, uma órbita da história. De alguma forma perdi minha órbita e vim esbarrar aqui, pensei estar tudo certo, mas não... Eu não menti, você não mentiu. A vida mentiu quando nos fez pensar que algum dia isso daria certo. E pra falar a verdade? talvez eu nunca estivesse pronto para isso. E o que nos resta agora é aquilo que chamam de desistir. E então foi assim, que hoje meu coração parou de bater por você. Entenda como preferir.
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Por quantas vezes a chuva caiu lá fora e congelou tudo aqui dentro, sem que nós percebessemos? Eu não espero nada além de uma miragem sua entrando pela porta e expulsando os aqui presentes.
Eu não espero nada além de sua miragem e eu, na janela observando toda a água que cai e o verde que nasce, nos raios de 100 metros que nossa visão possa alcançar. Então depois haveria sol, para eu poder ver com precisão cada curva do seu rosto. E que não houvesse tempo. E que ficassemos assim, eu e sua miragem, durante um
bom tempo.
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Mais um vôo, sem escalas em Paris. Como me comportar quando você não está por perto? Devo abaixar a cabeça e ver aquela foto tão real a cada novo olhar, ou devo ser o mesmo, apenas tentando não ser tão convidadito? Se a cada vez que vou aquela mesma torre as lembranças voltam e eu sinto a brisa em forma do seu abraço me envolver como da ultima vez. E se nós fossemos embora para o mesmo lugar, e lá silenciar enquanto estivermos juntos. Pois deve sim haver em algum lugar um destino justo para nós dois, e aí sim formar o eu entendo de destino perfeito, ao seu lado.

Todos os meus romances já tiveram o seu momento de verdade, hoje todos repolsam na memória. E eu de verdade torço para que não voltem. Não que tenham sido ruins. Porém, daqueles sabores eu já provei do amargo ao doce, e o único sabor que desejo, capaz de saciar essa fome e essa sede, é o seu.
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Fora de casa, caminhando um pouco pelas ruas, parei em uma praçinha onde o sol pincelava o céu numa perfeita aguarela, era um típica tarde de outono, em que as folhas caiam e eu as observava. A praça não estava cheia, mas algo me chamou a atenção. Havia um garotinho sentado e sozinho, como quem esperava alguém. Me aproximei, e o vi balançando suas perninhas curtas que nem mesmo alcançavam o chão, ele era meio loirinho, e estava muito bem agasalhado, apesar de não fazer frio (por alguns minutos eu esqueci que a temperatura é psicológica, depende muito da emoção.) Ao ouvir meus passos esmagar as folhas, ele me olhou com uma expressão assustada. Eu disse um "Oi" e ele sorriu. Como se me reconhecesse e fossemos amigos há anos, ele afastou para que eu pudesse sentar, e colocou suas mãos sobre as pernas e me contou que estava sozinho, e que ninguém além de Deus o podia ouvir por ali. "Pois o pai, o filho e espírito santo tinham ido ao litoral, mas ao seu pedido eles o viriam socorrer antes do fim da tarde". Dessa forma, eu reconheci uma fé inabalável. Nós ainda conversamos durante algum tempo e ele me contou sobre como é estar sozinho, não que aquilo fosse uma novidade para mim, mas era bom ouvi-lo. Aquele menininho na verdade era eu. Eu o deixei no parque da memória, bem no dia em que me pediram um pouco mais, bem no dia em que eu desejei crescer para que todos pudessem me ouvir, bem no dia em que eu quis que meus pais me admirassem como eles admiravam o filho do vizinho, no dia em que eu decidi compreender a química e a biologia, e fazer muitos cálculos físicos. Foi então que deixei um pouco pra trás a vontade de ficar sem fazer nada, de acreditar nos meus sonhos, de pensar que eu já era um grande modelo, de ficar esperando um grande amor, de viver meu lindo país das maravilhas. Eu encontrei meu pequeno, e desde então nunca nos separamos, somos dois pesos de uma balança bem equilibrada. Mas e você? Deseja achar alguém pequeno que por acaso tenha esquecido em alguma praçinha da sua memória?
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Nesses versos simples e mudos, sem sonoridade, eu busco num apartamento calado algo pra te dizer. quer ser assim, como viver um milhão de anos com alguém que se quer amar, para poder parecer impossível aos olhos de quem não vê a pureza perdida no tempo para ser resgatada, e que me faz comover no seu olhar.
Palavras são apenas palavras perante momentos que quando vividos e aproveitados viram rochas que registem ao leva e trás do mar da vida. faz comigo; rochas indestrutiveis? milhares delas? para nos apoiar e JUNTOS atravessar o mar. sem deixar que ele nos leve?

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